UMA FORMA DE HABITAR O TEMPO

Quando perdi meu arco-íris
em meio a arranha-céus sem cor,
naquela estrada
envolta pela neblina,
perdi minhas cores.

Foi um processo
gradual.
Não percebi.

Nessa falta, tentei
reavivar o colorido
me agarrando a cores
de fora
que a chuva insistia
em desbotar.

Nessa dança
natural
entre cores e desbotamentos,
me amanheci.

Entre o cinza e a cor,
percebi em mim
um feixe de luz amarelo,
tímido,
me chamando,
me convidando a sorrir.
Sorri.

Mergulhei
fundo,
e o amarelo ganhou tom.

Quando me dei conta, lá estava:
o verde, que convidou o azul,
o laranja e o vermelho.

Pouco a pouco,
as cores transbordaram.


Voltei para mim.

Hoje o arco-íris é todo meu,
e a chuva,
quando vem,
só o acende.


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