UMA FORMA DE HABITAR O TEMPO

Procurei, em tantos amores,
aquele que tu me deras:

o ardor da alma,
a cegueira do óbvio,
a angústia da ausência —

e então, a solitude.

Seguimos a vida.
E aqui, nesta encruzilhada,
nos reencontramos.

Não foi a tempestade —
foi o vento:

o agridoce de um beijo roubado,
de uma noite
não dormida.

Vou te escrever um soneto,
pintar um retrato em branco e preto,
compor as notas de nós dois:
um amor em verso e prosa,
musicado.

Talvez, embora torto,
tudo esteja onde sempre esteve:
calado na alma,
um sonho delirante
feito de palavras
não ditas
e uma vida não vivida.

E não —
não me roubarão
a ilusão.



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