Obrigação: vem do latim obligatus, que significa “ligar”, “atar” ou “comprometer”.
Está quase na hora de preparar o almoço e comecei a pensar na obrigação de prepará-lo, no horário, no planejamento… Faz parte do pacote.
A vida é composta por pequenas obrigações: diárias, domésticas, no trabalho e naquelas em que os nossos diversos “eus” decidiram se comprometer.
Lembro-me de quando briguei com o relógio.
Não queria mais ter minha vida controlada por aquelas engrenagens.
— Até ele me manda.
Então me desobriguei.
Pra ser honesta, eu nem percebi.
Mas hoje ri ao olhar o relógio.
Quero me desobrigar de mais coisas.
Não vejo saída.
Mas, olhando para o meu eu do passado, vejo que ele também não sabia.
Demorei um dia para responder a uma amiga do Mato Grosso.
No dia seguinte, ela me enviou dois olhinhos, tentando confirmar que eu havia lido a mensagem.
Eu li.
Mas a minha energia estava reservada para assistir a uma borboleta monarca voando ao meu lado, para então sumir pela copa das árvores.
Debruçar-me sobre um píer e ver um lago ao fundo.
Cantar com um completo estranho.
Dançar no meio da rua.
Cada um se implica com aquilo a que deseja se obrigar.
Deixar-se atravessar por uma estrada de terra, com as árvores se inclinando em arco, como se, ao final daquele túnel verde, um portal se abrisse.
Obriguei-me a dançar pela casa.
Brinquei com a minha cachorra, de quem comecei a me despedir em silêncio, desejando o avesso, do avesso do avesso, do avesso.
Retomei uma série de TV antiquíssima para passar um tempo com a minha irmã.
Preparei uma receita de que não me lembrava.
Remarquei a videochamada.
Fiquei em silêncio.
Obrigação: vem do latim obligatus, que significa “ligar”, “atar” ou “comprometer”.
— Vou lá preparar o almoço.
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